Trecho musical do dia (
ou como manter o nível de atualização mesmo sem inspiração)
Se vocês nunca escutaram essa música, escutem.
É caso de matar pai e mãe, se necessário.
The Who - Baba O'Riley
Out here in the fields
I fight for my meals
I get my back into my living
I don't need to fight
To prove I'm right
I don't need to be forgiven
Don't cry
Don't raise your eye
It's only teenage wasteland
Sally ,take my hand
Travel south crossland
Put out the fire
Don't look past my shoulder
The exodus is here
The happy ones are near
Let's get together
Before we get much older
Teenage wasteland
It's only teenage wasteland
Teenage wasteland
Oh, oh
Teenage wasteland
They're all wasted!
posted by Daniel at 2:57 p.m.
Sorvete
Pertinho de onde eu trabalho, na esquina da Joaquim Floriano com a Brasília, um cara vende sorvetes de máquina, desses do tipo do McDonalds. Não é tão bom quanto, mas quebra o galho e é mais barato.
Mas longe de ser a qualidade da casquinha o motivo pelo qual eu presto atenção no cara. Ele fica numa esquina comum, com uma máquina comum na frente de um bar comum, vendendo sorvete comum para gente comum, que está passando, que está esperando o ônibus ou voltando do almoço.
O que chama atenção e incomoda é o olhar e o semblante desse vendedor.
É fácil perceber que o cara está no limite. Ou ele estava na trilha errada da vida e não se acostuma com a ralação diária ou tá ficando muito cansado de seguir pelo lado certo, de tentar fazer a correria do bem e começa a considerar outras opções.
O que não dá para negar é que os olhos dele transbordam raiva, talvez até ódio. E que ele transmite tudo isso sem ser grosso ou mal-educado. Ele trata os fregueses de um jeito polido e seco, mas parece que se sente humilhado. No máximo daria para dizer que ele é mal-humorado. Mas aquilo não é mau humor.
Se você olhar
na bolinha do zóio dele, como dizia o finado Sabotage, o que tem lá é raiva das coisas como elas estão. Ele tá ali, na fronteira da sociedade, buscando sobreviver, mas não tá aguentando mais. E vou dizer: igual a ele tenho visto um monte por aí.
Fico com uma sensação estranha toda vez que o vejo. Não dá para ficar feliz e pensar que é mais um que está se salvando da miséria, porque não é assim que ele se sente. Não dá para ficar triste, porque de fato ele está se virando melhor do que os mendigos que eu vejo perambulando pelo Itaim.
Só sei dizer que, quando vejo aquele cara de jaleco branco, na frente desse bar comum, sei que alguma coisa está errada. Não sei precisar o que é, mas tem.
Se ele resolver correr para o lado errado, que ele tenha força e saia vivo. Não dá para condenar ninguém que vai para o crime nos dias de hoje.
Se ele continuar correndo para o lado certo, todo o poder para ele.
Todo poder para o povo pobre. Esse é o 4P que acredito.
posted by Daniel at 3:23 p.m.
Diálogo
Joguei a sétima folha de caderno por cima do ombro. Tinha escrito algumas coisas sim. Não vou falar o que era. Porque não, não quero falar pra ninguém. Tá, sou assim mesmo, nem adianta fazer esse bico não. Ligo pra você sim, só não quero te dizer o que tava escrito. É meu, se fosse seu eu não tava atrás não. Tira a mão daí, isso não é seu, pára com isso. Se eu quisesse que você visse não tinha amassado e jogado.
Não adianta falar que tudo que eu escrevo é bom, não adianta que eu sei que não é.
Não é charme, é realidade. Ache o que você quiser. Você quer saber porque eu não escrevo mais pra você? Não escrevo porque não quero, porque não sinto vontade.(...)
Já parou o choro? Então pára de soluçar e vai lavar o rosto.
Então fique feia assim, não tô nem aí. Nunca te achei feia, não adianta chantagem, sempre disse que prefiro você sem maquiagem. Prefiro sim, e saiba que você não fica bonita pra mim, fica pra você. Não é papo furado não, é a realidade, as pessoas ficam bonitas pra si mesmas, sem esse papo que é pra outra pessoa. É, devia mesmo se preocupar menos com isso.
Comigo? Pode se preocupar menos comigo, não vai ser um problema, garanto.
Não, você não é um problema na minha vida. Não é. Não é. Não é e eu já falei, porra, quer parar. Não é e não é, pára de querer complicar o simples, que saco. É, você é um saco. Tá bom, você pediu, você aguenta: você é um problema SIM!(...)
Não sei. Não sabendo, isso não é hora de fazer essa pergunta.
Não estou negando, pára de tentar me convencer de algo que eu não disse? Não disse não e tenta soluçar menos enquanto fala, senão eu não entendo nada. Vai, chama de estúpido mesmo, não ligo pras coisas que você fala. Nessas horas, pára de fazer drama, só nessas horas. É claro que eu ligo, só nessas horas que não, dou um desconto. Acho sim? Tenho direito de achar sim, você
tá agindo como burra, é burra. É, tudo começou de novo com uma porra de uma pergunta que eu NÃO vou responder agora. Nem fodendo, desiste.
Não falei desistir de você. Não disse isso, pára. Não sou covarde não, quando desistir desisto na lata, você sabe!(...)
Quer ir embora com raiva, vai. Não quero, é você quem está dizendo que vai.
Ligo pra você sim, é só você falar a real que eu ligo, você sabe que joguinhos desse tipo nunca funcionaram comigo. Joguinhos sim,
sujos e baixos. Não estou dizendo que nunca fiz, estou dizendo que comigo não funciona. Pode me chamar de míster fodão, não tô nem aí. É isso mesmo, não tô nem aí com nada. Pode ir, a chave tá em cima da mesa, por favor tranque a porta.
Pergunta. Pode perguntar. Não, eu só respondo o que eu quiser, não me venha com condicionais. É isso que você quer saber? Já dei a resposta: não sei! Estando ou não satisfeita, a resposta vai ser essa.
Beleza. Faz outra, as condições são as mesmas, pode fazer. Não digo. Pára, não vou dizer, não adianta, pô. Pára com isso. Gritei mesmo, você tá me enchendo muito. Pode ir.
Ligo sim, é você quem está dizendo que vai embora. Eu não mandei você ir, só disse que se VOCÊ quisesse, podia ir. Não vou dizer
nunca. Pode espernear o quanto quiser.
Isso, bate a porta mesmo, não tô nem aí. Aquelas sete folhas de papel são minhas e sempre vão ser.
posted by Daniel at 11:48 a.m.
"...all the way to Reno
you've written your own directions
and whistled the rules of change
you know what you are
you're gonna be a star..."
R.E.M, música "All the way to Reno (you're gonna be a
star)", álbum "Reveal", de 2001
covardia tentar escrever algo quando mais ou menos as bases das suas crenças estão condensadas em 5 estrofes. não sei nem se eu deveria, mas... Se ficar ruim, por favor me avisem.
porque essas são as bases das minhas crenças? na verdade, nem eu sei bem se as são. eu diria que são mais as minhas metas, meus objetivos. escrever meus próprios caminhos. assoviar as regras da mudança. saber quem eu sou. tornar-se alguém (uma estrela?).
eu queria saber se tudo mundo tem essas coisas bem claras, como aquela certeza meio cega que acomete quando o despertador desembesta a tocar. sabe, aquelas coisas de levantar, ir pro banheiro, tomar café e banho. eu não tenho. já tive durante muito tempo, mas não mais. hoje mesmo eu só ouvi essa música porque não tive essa certeza cega do despertar. não fui trabalhar. estava todo arrumado, a menos de um quilômetro da empresa.
desisti. virei na primeira rua que encontrei antes de chegar e comecei a dirigir, dirigir e dirigir, meio sem rumo, fugindo do trânsito infernal. dei voltas e voltas. quase me aventurei a descer até santos ou ir até algum ponto não determinado do interior. feels good. o quê? essa sensação de dirigir(-se?) a lugar nenhum, só se sabendo o ponto de saída.
desde sempre eu acho que a vida é como uma estrada meio sem fim, que você anda, anda e anda. ás vezes você se sente bem fazendo isso. coloca uma música que combina com a estrada. mas na maioria das vezes, a minha estrada é um avenida cinzenta, cheia de casas sem números e pessoas sem casa, com muitos carros parados. e o carro está com um rádio lindão, mas que só sintoniza uma estação de pop contemporâneo adulto dos anos 80 (o quê é isso?) e por mais que eu tente ele não sintoniza nem uma porra de uma rádio diferente.
mas é bom quando, meio sem querer, mesmo nessa avenida cinzenta, o trânsito flui e eu consigo sintonizar uma outra rádio. e hoje estava tocando "all the way to reno". i'm gonna be a star. será?
posted by Daniel at 12:03 p.m.